sexta-feira, 11 de maio de 2007

Praia da Aguda

A praia da Aguda pertence à freguesia de Arcozelo, Concelho de Vila Nova de Gaia, Distrito do Porto.

A AGUDA é uma localidade do litoral de Vila Nova de Gaia. É uma praia piscatória, sendo a sua pesca artesanal. Fica situada entre duas praias: a praia da Granja e a praia de Miramar. Actualmente é habitada por 3 mil habitantes, chegando este número a duplicar no Verão, com a chegada de vareneantes.

Algumas características da praia da Aguda:

A praia da Aguda tem um fácil acesso quer a nível rodoviário quer a nível ferroviário, possui parque de estacionamento. A Aguda é uma praia marítima de areia branca, com bandeira azul; é uma praia vigiada e sinalizada, com nadador salvador.

A temperatura média da água no Verão é 16 ºC e no Inverno é 14 ºC.
Na praia da Aguda encontra-se a ELA –Estação Litoral da Aguda.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Estrutura de protecção costeira: o quebra-mar da Aguda

A construção do quebra-mar da Aguda, de forma destacada e paralelo à costa, iniciada em Outubro de 2001 e concluída em Julho de 2002, pretendia contribuir para a segurança da frota local, facilitando o acesso à praia, bem como a minimização dos efeitos da erosão do lado sul da praia. O quebra-mar tem 330 metros, de comprimento, seis de largura e a cota de coroamento é de cinco metros acima do zero hidrográfico (ZH) (Weber, 2005; Santos et al., 2002). Dos vários impactos previstos para esta obra destacaram-se os sedimentares, nomeadamente a formação de um tômbolo por efeitos de difracção, não tendo sido previsto um impacto muito significativo a sul. Foi ainda prevista a acumulação de sedimentos a norte e a diminuição a sul, durante a sua construção (Weber, 2005). Pouco tempo depois, uma importante variação de sedimentos teve lugar na praia: uma acumulação de areia no lado norte e uma diminuição a sul (Santos et al., 2002; Weber, 2005).


As estruturas de protecção costeiras, como o quebra-mar da Aguda, alteram normalmente o sistema de correntes e muitas vezes o abastecimento natural de areia nas praias (Davenport & Davenport, 2006). O decréscimo do hidrodinamismo local conduz ao desaparecimento gradual de espécies características de praias expostas, como os mexilhões, ou ao surgimento de outras espécies típicas de praias menos agitadas, como algas do género Fucus. A ocorrência de impactos ambientais pode ser identificada por alterações na distribuição e composição das comunidades biológicas.




O fenómeno de difracção das ondas faz com que, num sector limitado (junto do término do quebra-mar), a ondulação mude de rumo. No caso da praia da Aguda, como a ondulação dominante neste trecho é de noroeste, no referido sector passou a ser de sudoeste. O tômbolo formado criou uma baía de águas calmas, passando a parte central da praia da Aguda de exposta a abrigada (Weber, 2005). Este facto pode provocar localmente uma redistribuição de certas espécies, consoante as suas características adaptativas ao grau de exposição das ondas.



Lamberti & Zanuttigh (2005) mostraram que os fluxos relacionados com o hidrodinamismo influenciam o processo de colonização bem como o tipo de organismos intertidais que podem sobreviver nas zonas alteradas. As alterações no transporte de sedimentos, e que resultam normalmente em grandes acumulações de areia, afectam os organismos de diversas maneiras, nomeadamente reduzindo a luz disponível, devido à turbidez, interferindo nos filtros e sistemas respiratórios, pela deposição de areias, ou dificultando a aderência à rocha, através do efeito abrasivo dos sedimentos.




O quebra-mar construído na praia da Aguda será provavelmente responsável por algumas alterações observadas nesta zona, nomeadamente a nível das comunidades biológicas existentes no local. Segundo Weber (comunicação pessoal), os recifes de Sabellaria alveolata sofreram uma regressão significativa, ao nível da sua extensão, a partir do momento em que esta estrutura foi construída.









Esquema da praia da Aguda antes e depois da construção do quebra-mar

Quebra-mar da praia da Aguda

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Processo de Amostragem

O processo de amostragem realizou-se durante os meses de Abril e Maio de 2007, nas marés baixas iguais ou inferiores a 0.6 metros acima do zero hidrográfico. Utilizou-se como referência a Carta das Marés da Capitania de Leixões.

O método utilizado para a recolha de amostras de Sabellaria alveolata consistiu na escolha aleatória de recifes e no uso de um quadrado com uma área de 400cm2. Todo o material incluído nesta área, desde a superfície até ao contacto com o substrato inferior rochoso, foi recolhido com o auxílio de formão e pá de mão, para baldes de 5 litros com tampa. Em cada local de amostragem efectuaram-se aleatoriamente 2 réplicas.






terça-feira, 8 de maio de 2007

A Barroeira na Aguda



Algumas turmas desta Escola estão a desenvolver um projecto sobre a Barroeira na Aguda, sob a coordenação de alguns professores de Biologia, Matemática, Física e Química e TIC.
As tarefas que irão ser realizadas visam atingir os seguintes objectivos:




  1. estudar a barroeira e o seu habitat;

  2. conhecer a importância ecológica da barroeira na construção de recifes;

  3. estudar a evolução da comunidade da barroeira na Aguda;

  4. conhecer medidas para a protecção da barroeira


A barroeira, de nome científico Sabellaria alveolata (L.) é uma minhoca poliqueta com as seguintes características:



  • Forma = até 4cm de comprimento
  • Corpo cilíndrico com 32-37 segmentos (figura 1)
  • Habitat = em tubos dispostos em colónias e constituídos por grãos de areia (figura 2);
  • Incrustando rochas e conchas;
  • Vive na zona entre marés de praias rochosas, como é o caso da Aguda.
  • Local de observação = Aguda, Mindelo, Cabo do Mundo.
  • Distribuição = Mediterrâneo, Atlântico, Canal da Mancha, Mar do Norte.



Figura 1 – Exemplares da Sabellaria alveolata (L.)




Figura 2- Pormenor dos tubos construídos pela Barroeira


Os recifes de Sabellaria alveolata, como os da figura 3, são frequentes no nosso litoral.





Figura 3 – Recifes de barroeira



A importância da barroeira reside no facto dos seus recifes contribuírem para a diversidade animal e, consequentemente, para o aumento dos recursos piscatórios costeiros de grande interesse para o Homem. Por isso, não devem ser destruídos. Assim, os recifes não devem ser pisados nem destruídos à força de picaretas na procura de iscos que vivem nos tubos vazios da barroeira.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Actividades desenvolvidas

No âmbito do projecto "A Barroeira na Aguda", foram desenvolvidas algumas actividades, entre as quais:
  • Trabalho de campo - foi definido o processo de amostragem, onde foram recolhidas amostras do recife da barroeira. Mediram-se os parâmetros fisicó-químicos e realizou-se a recolha de elementos que permitem determinar o volume do recife escolhido, o crescimento linear do tubo e a densidade populacional do recife. Foram recolhidos dados sobre o conhecimento da barroeira pela população, através de inquérito por questionário.
  • Trabalho no laboratório e na sala de aula - estudou-se a biologia da barroeira, com recurso a lupas binoculares, máquina fotográfica e documentação de apoio. Foram realizadas também actividades de filtração, decantação e determinação da salinidade da água do mar. Estudou-se a influência de determinados factores ambientais (fisico-químicos) no crescimento e/ou sobrevivência da barroeira. Analisou-se as medidas efectuadas tendo em vista a definição de modelos matemáticos. Estudou-se a orientação dos tubos de areia constituintes dos recifes. A nível da matemática fez-se um estudo estatístico dos dados recolhidos relativamente ao conhecimento da população sobre a barroeira.

Produziram-se também trabalhos, entre estes podemos destacar o poster, vídeos, o blog e uma disciplina na plataforma moodle da Escola.


Folheto

domingo, 6 de maio de 2007

Um pouco mais sobre a barroeira

A barroeira é um anelídeo poliqueta da família Sabellariidae e cujo nome científico é Sabellaria alveolata. A Sabellaria alveolata é uma espécie que vive entre 3 a 5 anos (por vezes de 7 a 10 anos). Os indivíduos alcançam um comprimento de 2 a 5 cm e são sedentários (vivem num tubo cimentado). Capturam alimento e micropartículas nas águas turvas usando os filamentos da região bucal. O órgão construtor cimenta os grãos de areia recebidos e coloca este material no topo do tubo que vai crescendo em tamanho. Os tubos podem medir até 50 cm de comprimento, com um diâmetro interno de cerca de 10 mm que corresponde à largura de um indivíduo.
O corpo da Sabellaria alveolata apresenta 4 regiões distintas: a região cefálica, uma região toráxica, uma região abdominal e ainda uma região caudal.
Esta espécie tem uma reprodução sexuada do tipo gonocórica e a razão macho/fêmea é de 1/1. A actividade reprodutiva começa durante o primeiro ano da sua vida e apresenta dois períodos de reprodução: um de Março a Abril e outro de Junho até Setembro.

sábado, 5 de maio de 2007

Diferenças morfológicas entre um macho e uma fêmea

Não se observam grandes diferenças morfológicas entre um macho e uma fêmea, apenas a existência de uma papila nefridial a cada segmento abdominal permite distinguir a fêmea do macho (Fauré-Frémiet, 1924 in Gruet & Lassus, 1983). O que mais seguramente permite distinguir os sexos resulta do facto da espécie guardar durante todo o ano produtos genitais que dão uma coloração branca no indivíduo masculino e rosa-violeta no indivíduo feminino.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

A importância da Barroeira

Todas as minhocas existentes no planeta, pertencem ao filo Annelida, ao Reino Animalia. Estes vermes dividem-se em dois grupos: os poliquetas errantes e os poliquetas sedentários.
A Sabellaria alveolata é um poliqueta sedentário, que vive em tubos que constroem com calcário e areia sobre as rochas. A barroeira, é entre estes o poliqueta mais importante, uma vez que aparece em muita quantidade e também porque constrói fantásticos "castelos" com areia e pedacinhos de conchas. A esses "castelos" dá-se o nome de recifes.
Consegue-se facilmente encontrá-las em construções arenosas, que cobrem as rochas, e que têm o aspecto de "favos de mel".

Os recifes escondem um grande conjunto de animais muito diferentes, desde pequenos crustáceos, outros poliquetas, moluscos, equinodermes e peixes. Em 1998, foram descobertas 140 espécies diferentes a viver nos recifes da barroeira. Podemos então concluir que a barroeira é muito importante, uma vez que dá abrigo a outros seres vivos.
Devemos portanto, ter cuidado, não destruir a barroeira, e avisar as pessoas, sobretudo os pescadores desportivos, para que não a pisem também para que não procurem nos recifes o isco para a pesca.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Os ciclos de crescimento dos "recifes"

Os ciclos de crescimento dos "recifes" de Sabellaria alveolata, ao longo de um período de vários anos, começam por estruturas de forma arredondada construídas sobre substratos rochosos (fase primária da fixação).





Essas formações acabam unidas através do seu crescimento em todas as direcções e pelo estabelecimento de novas formações entre as primeiras. Esta fase acaba com a construção de uma grande plataforma. Quando os organismos construtores morrem, inicia-se uma fase de destruição em que os seus "recifes" são mais ou menos erodidos. Seguidamente novas poliquetas se instalam iniciando a construção de "recifes" esféricos desta vez assentes sobre os "recifes" mortos (fase secundária da fixação).


quarta-feira, 2 de maio de 2007

A barroeira como espécie indicadora

Alguns animais e plantas vivem em grandes quantidades numa determinada zona, assim quando se encontram, sabe-se em que zona estão. A Sabellaria alveolata, é portanto considerada uma espécie indicadora das zonas do eulitoral inferior.
A zona eulitoral inferior é a zona do eulitoral que mais tempo fica coberta de água, logo é a que menos tempo fica seca. É denominada zona de barroeira.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

domingo, 29 de abril de 2007

Andar ecológico

Na plataforma continental (assim designada a parte da crosta continental submersa ou directamente influenciada pela acção das águas marinhas), geralmente com uma profundidade média da ordem dos 200 metros, podem ser delimitados, sob o ponto de vista ecológico, quatro andares: supralitoral, mediolitoral, infralitoral e circalitoral .Os andares correspondem a zonas que se sucedem verticalmente e cuja extensão varia com as condições físicas.

A determinação da passagem de um andar para o outro depende da modificação significativa da intensidade dos diferentes parâmetros ambientais que influenciam a ocorrência dos vários organismos, como por exemplo a iluminação, a duração dos períodos de emersão e imersão e o hidrodinamismo.

A Sabellaria Alveolata encontra-se no “Andar Mediolitoral”, sujeito ao ciclo da maré, variando entre imerso, na praia-mar e emerso, na baixa-mar.

sábado, 28 de abril de 2007

Como manter viva esta espécie em laboratório?

Em laboratório, os animais podem ser mantidos na água de mar que provenha de estações biológicas marinhas ou em água de mar renovada, filtrada e arejada, em circuito fechado. Nestas condições, a Sabellaria alveolata permanece viva durante vários dias, ou mesmo várias semanas. A temperatura óptima de criação é a da água de mar donde provêm. Contudo, para manter os animais em estado de reprodução, é preferível criá-los a uma temperatura compreendida entre 5 e 10°C.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Estudos químicos:

Como determinar a velocidade de formação do recife?
Será que a velocidade de formação é a mesma em todos os locais?
Quais os factores que poderão influenciar a velocidade de formação d
o recife?

Com o objectivo de dar respostas a essas perguntas, foi realizada uma saída de campo no dia 20 de Março de 2007, pelas 10 horas, onde os alunos mediram em vários locais a altura do recife construído pela barroeira. (Os locais foram distintos, nomeadamente:
Início de formação do
recife e locais onde este estava mais desenvolvido – Locais previamente seleccionados.)


Resultados das medições dos recifes (1ª medição)






Cálculo da velocidade média da formação dos recifes:



∆t = 28 dias



Cálculos:


Conclusões:

  • A velocidade de formação dos recifes no seu estado inicial é menor, do que quando está num estado mais avançado.
  • Nas zonas mais próximas da costa a velocidade de formação foi menor do que nas zonas mais afastadas.
  • A velocidade de formação do recife neste intervalo de tempo foi bastante significativa.


quinta-feira, 26 de abril de 2007

"Bilhete de Identidade"

  • Nome científico: Sabellaria alveolata (L.)
  • Reino: Animalia
  • Sub reino: Metazoa
  • Filo: Annelida
  • Classe: Polychaeta
  • Género: Sabellaria
  • Observações: São vermes marinhos distintamente segmentados que apresentam uma cabeça nítida com apêndice sensitivo e ao longo dos metameros numerosas sedas. Os sexos são separados, com fecundação externa (os óvulos e espermatozóides fundem-se na água do mar). Vivem em tubos permanetes secretados pela própria Sabellaria.

sábado, 21 de abril de 2007

Os anelídeos, como a Sabellaria alveolta, são vermes que possuem uma nítida segmentação ou metamerização externa e interna, incluindo músculos, nervos, órgãos circulatórios, excretores e reprodutores. Estes ocorrem em água salgada e possuem estruturas de locomução que apresentam sedas, uma epiderme constituída por epitélio simples, cilindrico contendo células glandulares e sensoriais. Recobrindo a epiderme encontramos uma cutícula permeável e não quitinosa. Os anelídeos são o primeiros animais a apresentar celoma.
Características da Sabellaria alveolata:
Nutrição e digestão:
  • Sistema digestivo completo, de forma tubular
  • São carnívoros
  • Possuem mandíbulas para a captura de alimentos
  • Apresentam tiflosole (prega intestinal que aumenta a área de absorção)
  • Realizam uma digestão extra-celular
  • É heterotrófica
Sistema circulatório:
  • Sistema circulatório fechado
  • Possuem uma série de tubos ou vasos sanguíneos, assim como cinco pares de corações
  • Sangue constituído por placas que contém amebócitos livres e hemoglobina dissolvida
  • Sistema de transporte duplo: os nutrientes, excreções e gases respiratórios são transportados quer pelo sangue que circula encerrado em vasos, quer pelo fluído que preenche o celoma
Sistema respiratório:
  • Seres vivos aeróbios
  • Respiram por meio das brânquias
Sistema excretor:
  • Constituído por unidades denominadas nefrídeos
  • A sua urina é muito concentrada em sal (NaCl)
Sistema nervoso:
  • Do tipo ganglionar
  • Possuem células como elementos sensoriais
Reprodução:
  • Sexuada
  • São gonocóricos
  • Iniciam a sua actividade reprodutiva desde o seu primeiro ano de vida
  • Reproduzem de Março a Abril e de Junho a Setembro
  • Passam por estádios larvares
  • Fecundação externa